Mídia continua a usar dados manipulados para alimentar pânico na pandemia

Se você busca no Google e se alimenta de fontes da chamada “grande mídia” para se informar sobre a situação da pandemia, você provelmente terá a sensação de que o pesadelo não tem fim. Porém, grande parte dessa sensação se deve a manipulação de informações, especialmente os gráficos de contaminados e os gráficos de óbitos por covid-19.

Contaminados por covid-19

Os grandes veículos e até governos estaduais e municipais insistem em mostrar prioritariamente os dados acumulados de contaminação. Nesse recorte, é matematicamente impossível o gráfico mostrar redução, criando uma curva de subida sem fim.Anúncio:

Como falou-se muito em “achatar a curva”, há que pense que um dia esse gráfico que veem deveria apresentar uma redução, mas veja bem, são números acumulados!

Mesmo que a pandemia esteja acabando e tivermos o último caso de covid-19 confirmado, ainda assim, tal gráfico mostrará crescimento. Outra parte dessa manipulação consiste em omitir o número de recuperados e isso é um erro crasso que jamais deveria ser feito por um veículo de comunicação que busque informar corretamente seu público.

O caso do estado de Santa Catarina serve para ilustrar isso. Notícia recente fala em 51,5 mil casos da doença, mas por ser um site da mídia tradicional, eles nem sequer citam o número de recuperados. São muitos meses de pandemia. Dentre esses 51,3 mil casos de covid-19, tem gente que está curada de covid há meses!

O número mais recente é de 53.336 mil confirmados. Porém, o número de recuperados (curados da doença) é de 43.569. Ou seja, no estado que tem população total estimada em 7,266 milhões de pessoas, atualmente 9.769 pessoas têm coronavírus confirmado. Esse é o número de pessoas que de fato podem estar em risco de saúde e de transmitir o vírus para outros. Ou seja, trata-se de 1 caso para cada 743 habitantes. Ou melhor: 0,0013% da população do estado está infectada por covid-19. Isso mesmo, o percentual é quase 10x menos do que 0,01%. Se fosse 0,01% seriam 72 mil casos de covid-19 (revisar a matemática básica é sempre bom para termos uma noção mais real do problema).

Mortalidade por covid-19

Com o gráfico de mortalidade por covid-19 também ocorre uma certa manipulação em todo o país.

Conforme bem observou Bernado Küster no seu artigo, o gráfico apresentado com frequência traz óbitos “diários” com base na data de notificação do óbito e não com base na data que a pessoa morreu. Ou seja, como a testagem leva tempo, o número de casos divulgados por dia representa mais óbitos do que a soma das pessoas que morreram em cada dia. Isso gera um gráfico que não reflete a realidade da situação de saúde pública e pode levar as pessoas a pensarem que o pesadelo não tem fim.

Veja o gráfico abaixo:

Quando se analisa de fato o número de pessoas que morre por dia, o gráfico fica bem diferente. O gráfico abaixo mostra isso. Vemos que a mortalidade por covid-19 está em queda desde maio.

Tome cuidado e não dissemine o pânico

Verifique atentamente em seu estado o número de recuperados e faça as contas. É preciso tomar cuidado sim com a doença, mas a forma com que estamos sendo informados também exige cuidados, caso contrário, você, seus familiares e amigos podem entrar em pânico e isso também traz consequências para a saúde.

Leia também a análise de Bernardo Kuster sobre os gráficos acima no artigo do BSM clicando aqui.

Recomendo ainda a leitura do clássico livro “Como mentir com estatísticas”, que mostra manobras para enganar as pessoas sem adulterar dados, apenas escolhendo os recortes e formas de cálculos “mais convenientes”. É isso que muitos parecem estar buscando nessa pandemia. Apesar de usarem dados verdadeiros, levam o leitor a pensar que a realidade é bem diferente, pela forma que tratam as informações. O livro que ilustra esse artigo serve para alertar quem não deseja ser enganado.

https://www.estudosnacionais.com/26858/midia-continua-a-usa-dados-manipulados-para-alimentar-panico-na-pandemia/
Compartilhe:

15 thoughts on “Mídia continua a usar dados manipulados para alimentar pânico na pandemia

Deixe um comentário