O presidente Jair Bolsonaro ironizou nesta quarta-feira a eficácia de 50,38% da CoronaVac, divulgada na terça-feira pelo governador Calcinha apertada

O presidente Jair Bolsonaro ironizou nesta quarta-feira a eficácia de 50,38% da CoronaVac, divulgada na terça-feira pelo governo de São Paulo. Bolsonaro disse que a “verdade” está aparecendo, sem especificar a que se referia, mas repetiu que o governo comprará qualquer vacina que tenha o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Ministério de Saúde já assinou um contrato para comprar 46 milhões de doses da CoronaVac.

A declaração do presidente foi feita durante conversa com apoiadores, no Palácio da Alvorada. Um homem falava sobre a importância da vacina contra a Covid-19, quando Bolsonaro disse, rindo:

— Essa de 50% é uma boa?

Em seguida, o presidente afirmou que está há “quatro meses apanhando por causa da vacina”, mas que não quer “agradar quem quer que seja”:

— O que eu apanhei por causa disso…Agora estão vendo a verdade. Estou quatro meses apanhando por causa da vacina. Entre eu e a vacina tem a Anvisa. Não sou irresponsável. Não estou a fim de agradar quem quer que seja.

O mesmo apoiador disse, então, que o melhor imunizante é o feito pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxfod. Bolsonaro retrucou que a melhor é que “passar pela Anvisa”. Tanto a CoronaVac quanto a de AstraZeneca/Oxford já estão sendo analisadas pela agência.

— É a vacina que passar pela Anvisa. Seja qual for. Passou por lá…Já assinei um crédito de 20 bilhões (para comprar).

A CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, tem uma eficácia geral de 50,38%, anunciou nesta terça-feira o governo de São Paulo. Os dados incluem os voluntários do teste clínico que contraíram a doença, mas tiveram casos leves, o que mostra que o imunizante é capaz de proteger contra formas graves da Covid-19. A vacina supera o índice recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), apesar de o valor ser menor do que o índice 78% de eficácia anunciado inicialmente em relação a casos moderados.

A taxa global é menor do que os 78% porque inclui casos muito leves de coronavírus, ou seja, mesmo que a pessoa tenha se infectado, pode ter sido assintomática ou não ter necessitado de hospitalização. Para casos moderados e graves da Covid-19 – com hospitalização, incusive em UTIs -, a eficácia do imunizante foi de 100%.

Durante a fase três do estudo, que ainda está em andamento, 252 pessoas já apresentaram infecção. Dessas, 85 receberam a vacina (e por isso a eficácia global de 50,38%) e 167 receberam uma substância placebo. Entre as infectadas após receberem o imunizante, ninguém precisou de internação hospitalar.

O Globo

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