Cappelli não citou nomes, mas há ao menos dois velhos conhecidos do noticiário policial fluminense que estavam em presídio federal de Rondônia e foram beneficiados por decisões recentes:
Luiz Cláudio Machado, o Marreta, que desde sábado (21) está na cadeia de Bangu 1, na Zona Oeste, região aterrorizada pela milícia na segunda-feira (23);
e Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que deve voltar nos próximos dias, após decisão unânime da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.
“No meio de uma situação delicada que o Brasil inteiro está acompanhando, recebemos uma determinação judicial para transferir de uma penitenciária federal para o Rio de Janeiro, um líder de facção do estado. Todos precisam cooperar no enfrentamento ao crime organizado”, escreveu Cappelli nesta terça-feira, sem citar nomes.
Marreta: representante de Marcinho VP
Marreta foi preso em 2014, no Paraguai, por agentes da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Seseg), Polícia Federal e Secretaria Nacional Anti Drogas Paraguaia (Senad/PY).
Do país vizinho, ele coordenava a atuação da organização criminosa e a distribuição de armas e drogas de comunidades dominadas pela facção. Segundo a investigação, foi ele que ordenado confrontos com policiais e ataque às sedes de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Um ano antes, o traficante tinha fugido por um túnel construído no esgoto, na companhia de mais 26 detentos, do Instituto Penal Vicente Piragibe, que faz parte do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, para onde agora voltou.
Segundo informações divulgadas pela polícia, Marreta era um dos chefes do tráfico do conjunto de favelas do Lins e do Morro do Jorge Turco, em Coelho Neto, no Subúrbio. Ele também seria responsável pela chegada de cocaína às favelas cariocas dominadas pela sua facção criminosa.
Foi Marreta, segundo a investigação, que idealizou a tomada da Praça Seca, antes reduto só da milícia, pelo tráfico de drogas, em 2010. A guerra pelo controle de comunidades na região se arrasta até hoje e é um dos focos de terror que assola moradores do Rio nos últimos anos.
Antigo chefe do Comando Vermelho na Rocinha, comunidade na Zona Sul do Rio, 157 teve uma trajetória parecida com a do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem.
Ambos começaram como seguranças dos traficantes que comandavam a Rocinha. Nem foi de Lulu, e 157 passou de braço-direito a principal desafeto de Nem. A disputa desencadeou uma guerra pelo controle dos pontos de venda de drogas na maior favela do Rio, em setembro de 2017.
Naquela ocasião, homens de Nem invadiram a favela com a missão de expulsar Rogério, que se tornou seu desafeto após mandar executar homens da quadrilha de Nem e também de expulsar da Rocinha a mulher do traficante, Danúbia, que pretendia herdar o poder do marido.
Rogério 157 foi preso pela Polícia Civil na comunidade do Arará, na Zona Norte da cidade. De acordo com os policiais, ele foi encontrado em uma cama, debaixo de um cobertor, em uma casa simples. Dois seguranças que faziam a proteção dele estavam na laje da casa e fugiram.
Tentativa frustrada de voltar ao Rio
Em janeiro, agentes da Corregedoria-Geral e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil frustraram um plano para trazer o traficante Rogério 157 de volta a um presídio do RJ. Um advogado e um policial civil foram presos.
O esquema previa aliciar o analista responsável pela avaliação de risco da transferência, mediante um “pagamento vultoso”, a fim de facilitar o regresso de Rogério para o sistema penal fluminense. Mas toda a negociação foi gravada.
Rogério 157 estava encarcerado desde 2018 na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Ele tem quatro condenações na Justiça por crimes como tráfico e corrupção e acumula uma pena de 61 anos de reclusão.
A decisão para transferir 157 ao Rio foi da 6ª Câmara Criminal do Rio. Por unanimidade, os três desembargadores, Luiz Noronha Dantas, Fernando Antonio de Almeida e Marcelo Castro Anatocles foram a favor de trazer de tirar o traficante da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, e trazer para território fluminense.
“A decisão do Tribunal de Justiça foi acertada e com fundamento na legislação aplicável e nas recentes decisões dos Tribunais Superiores. Rogério teve 6 absolvições, 4 a pedido do Ministério Público nos últimos 2 anos”, afirma o advogado Thiago Lemos, que defende o chefe do tráfico da Rocinha.
