As linhas iniciais de investigação sobre o assassinato da Cabo PM Vaneza Lobão apontam para a participação da milícia no crime. Lotada na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), a policial não participava de operações de campo, concentrando seu esforço em trabalhos internos de inteligência. Segundo O GLOBO apurou, as duas principais hipóteses para explicar a motivação do crime, por enquanto, são: retaliação dos criminosos criminosos por conta do trabalho realizado pela policial ou o fato de milicianos suspeitarem que a policial estaria passando à corporação informações sobre a movimentação dos bandidos no cotidiano da localidade onde vivia.
Criadas na época áurea das Unidades de Polícia Pacificadora, as DPJM são voltadas hoje, basicamente, para a investigar a participação de policiais tanto nas milícias quanto no jogo do bicho. De acordo com colegas de Vaneza Lobão, a policial raramente participava de operações na rua. De acordo com a família, o enterro será realizado neste domingo às 16h no Jardim da Saudade de Sulacap.
A PM foi morta por volta de 21h30 de sexta-feira, quando estava de folga, pronta para ir a uma academia. Ela foi alvo de tiros de fuzil na porta de casa em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.
— Estamos devastados. Estava em casa quando soube da notícia, não acreditei. Minha irmã sempre foi muito tranquila, idônea. Nunca soube de ameaças, ou se ela tinha inimigos. A gente tinha receio pela profissão que ela exercia, mas nunca imaginei que ela poderia ser vítima de uma tragédia — diz aos prantos Andreza Lobo, irmã mais velha da policial.
Formada em direito, Vaneza entrou na corporação em 2013 e era uma profissional valorizada por lá. Recentemente, tinha sido condecorada com o distintivo “Lealdade e constância” pela PM. Em um curso especial de formação de cabos, a carioca se formou com nota máxima. Fazer carreira por lá fazia parte do sonho agora interrompido.
— Às vezes ela ouvia dos parentes perguntas como: “Por que você não muda de área? É muito perigoso”. Mas o militarismo era o que ela mais amava. Ela falava do futuro por lá.
Mas nem tudo se resumia ao trabalho. Vaneza era apaixonada por futebol e pela esposa, Thais, com quem dividia uma casa e a vida.
— Ela não comentava de investigações ou rotina de trabalho conosco. Era policial lá dentro. Aqui fora, era a nossa Vaneza. Gostava de jogar bola e sempre foi muito ligada à família. Dedicada até demais — diz Andreza, novamente em lágrimas.
No início da madrugada deste sábado, dia 25, a Polícia Militar do 27ºBPM prendeu um miliciano no loteamento Madean, também em Santa Cruz. A ação ocorreu durante as diligências em busca de suspeitos no caso da morte de Vaneza Lobão. Com ele foi encontrada uma arma de fogo, que foi apreendida.
De acordo com o Disque Denúncia, com a morte da policial sobe para 52 o número de agentes mortos em ações violentas no estado do Rio de Janeiro em 2023. Sendo 46 da Policia Militar, três Policiais Penais, um da Polícia Civil, um do Corpo de Bombeiros e um da Guarda Municipal.
Governador determina celeridade na investigação
Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro usou as redes sociais para lamentar a morte da policial militar Vaneza Lobão, que foi alvo de tiros na porta de casa, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Ele disse ainda que determinou celeridade na investigação do caso.
— Me solidarizo com a família da nossa policial militar Vaneza Lobão, que foi brutalmente assassinada ontem. Há indícios de que sejam milicianos, o qual ela investigava, ela fazia parte da nossa corregedoria. E eu determinei que a resposta fosse rápida e dura. Nós não deixaremos que policiais, que fazem o seu trabalho bravamente, corram o risco e fiquem a mercê dessa bandidagem. Pode ser miliciano, traficante, estamos combatendo e iremos atrás. Só vai aumentar cada dia mais a nossa vontade de botar esses criminosos na cadeia.
Flávio Dino oferece ajuda da PF
Em uma publicação nas redes sociais o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, lamentou o assassinato da PM Vaneza Lobão, ocorrido na noite de sexta-feira, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, e afirmou ter solicitado à Polícia Federal que ajude nas investigações do caso.
Na publicação, o ministro lamentou “o terrível crime cometido contra a policial Vaneza Lobão, no Rio de Janeiro”, prestou solidariedade à família e “aos colegas da corporação” e afirmou ter orientado “a Polícia Federal a ajudar nas investigações, de competência das autoridades estaduais”.
