Advogados ligados ao PT temem retaliação e reforçam campanha por Messias

Um grupo de advogados ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores) teme uma eventual retaliação caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indique o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal).

À CNN Brasil, o presidente do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio, que defende o nome de Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, declarou ver com perplexidade a possibilidade de o Congresso rejeitar a indicação do AGU para o posto.

“Acho uma ousadia se, eventualmente, o Parlamento quiser capturar uma prerrogativa do Executivo. Eles [parlamentares] têm direito de ter simpatia a um candidato, mas colocar a faca no pescoço do presidente [Lula] é algo equivocado”, disse.

A afirmação antecede uma conversa que Lula deverá ter com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta quarta-feira (15). Aliado de primeira hora de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, Alcolumbre pode tentar convencer o petista sobre a indicação do senador mineiro à Suprema Corte.

Na segunda-feira (13), Pacheco acompanhou Alcolumbre em uma reunião com os presidentes do STF, Edson Fachin; do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Herman Benjamin; e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A reunião serviu para discutir o projeto de lei que trata das atualizações de custas processuais. O texto está na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL).

O presidente Lula buscará ouvir ministros da Suprema Corte sobre quem indicar para a nova vaga. As sinalizações que partem do Supremo também contrariam os aliados de Jorge Messias, já que o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, apoia o nome de Pacheco.

“Acho um erro desses ministros oferecer resistência à indicação do Messias”, afirmou Marco Aurélio.

No Palácio do Planalto, entre ministros mais próximos do presidente, a aposta é de que o AGU está consolidado como favorito.

A indicação do presidente deve ser rápida, para evitar que o escolhido fique muito exposto a ataques por parte de parlamentares. O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), já disse que marcará a sabatina assim que a indicação chegar ao colegiado.

Fonte: CNN Brasil