Ações dos filhos de Jair Bolsonaro (PL) foram determinantes para agravar nos últimos meses a situação jurídica do ex-presidente, que neste sábado (22) teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram citados nas decisões de Moraes como argumentos para endurecer as medidas contra o ex-presidente, condenado em setembro a 27 anos e três meses por planejar um golpe de Estado após perder a reeleição em 2022.
A escalada da situação jurídica de Bolsonaro começou em 18 de julho, quando Moraes determinou busca e apreensão e impôs o uso de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente. A decisão ocorreu no âmbito do inquérito aberto para apurar a atuação de Eduardo nos Estados Unidos com o objetivo de interferir no processo da trama golpista.
De acordo com o ministro, Bolsonaro atuou de forma alinhada ao filho Eduardo para interferir no andamento da ação penal. Moraes afirmou que os dois agiram de maneira conjunta, consciente, dolosa e ilícita para submeter o Supremo ao crivo de outro Estado, em referência às articulações com autoridades do governo dos Estados Unidos.
Na ocasião, o ex-presidente também ficou obrigado ao recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana. Além disso, ficou proibido de usar redes sociais e de se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros e com outros réus e investigados, inclusive o próprio Eduardo.
A situação de Bolsonaro voltou a se agravar em 4 de agosto, quando Moraes determinou a prisão domiciliar sob a justificativa de descumprimento das medidas cautelares impostas anteriormente. A decisão teve como base publicações feitas por Flávio, Eduardo e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais.
Moraes apontou ainda que o ex-presidente teve conduta ilícita dissimulada ao preparar um vídeo para ser divulgado em manifestações com apoiadores.
Flávio publicou o vídeo em suas redes, mas apagou a postagem em seguida. Para Moraes, o gesto indicou que o filho 01 reconheceu que a divulgação das falas de Bolsonaro violaria as medidas cautelares estabelecidas em 18 de julho.
A decisão deste sábado (22) volta a citar Flávio, que no dia anterior convocou uma vigília no entorno da casa de Bolsonaro. A convocação, somada ao registro de violação da tornozeleira eletrônica, foi usada por Moraes para justificar a decretação da prisão preventiva.
O ministro escreveu que primeiro, Eduardo Bolsonaro articula criminosamente e de maneira traiçoeira contra o País, incluindo o abandono do mandato parlamentar. Na sequência, Flávio Bolsonaro, insultando a Justiça brasileira, pretende reeditar acampamentos golpistas e causar caos social, ignorando sua responsabilidade como senador da República.
O ex-presidente está preso na sede da Polícia Federal, em Brasília. Ele passará por audiência de custódia neste domingo (23).
Fonte: CNN Brasil
