Ministério da Saúde exonera médico defensor da hidroxicloroquina; motivo não foi informado

Hélio Angotti Neto assinou uma nota da pasta que dizia que as vacinas contra a Covid-19 não tinham eficácia comprovada contra a doença

O Ministério da Saúde exonerou nesta quinta-feira (8) o ex-secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto, a portaria da exoneração foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8). 

Angotti Neto foi nomeado em junho de 2020 para o cargo de secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (SCTIE) do ministério. No cargo, ele ganhou destaque por assinar, em janeiro deste ano, uma nota técnica para barrar as diretrizes que contraindicam o uso do chamado kit Covid.

As diretrizes barradas por Angotti foram elaboradas por um grupo de médicos convocados pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e aprovadas pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema de Saúde).

A nota assinada por Angotti classifica a hidroxicloroquina como eficaz no tratamento contra a doença e afirma que as vacinas não demonstram a mesma efetividade.

Menos de um mês após assinar a nota, Neto deixou o cargo para chefiar outra secretaria, dessa vez a de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde —da qual foi exonerado nesta quinta.

Angotti foi convocado em junho de 2021 pela CPI da Covid para prestar esclarecimentos sobre a nota. A versão final do relatório da CPI pediu o indiciamento dele por suposta difusão de notícias falsas na pandemia. 

Em janeiro, a ministra Rosa Weber, doSTF, pediu explicações sobre a nota técnica de Angotti. Weber atendeu a um pedido da Rede Sustentabilidade que visa o afastamento do secretário e a suspensão do parecer assinado por Angotti. Na decisão, a magistrada afirmou que políticas públicas de saúde devem seguir “normas e critérios científicos e técnicos, tal como estabelecidos por organizações e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas”.

A reportagem perguntou ao Ministério da Saúde, por email, qual foi o motivo da exoneração, mas não teve resposta até a publicação deste texto.

fonte: R7