Dos 37 ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 7 se manifestaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSD), foi um deles. Também Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento).
O levantamento se baseia em declarações ou posicionamentos dos integrantes do governo desde a abertura do processo na Câmara dos Deputados, em dezembro de 2015, até a deposição da petista no Senado, em agosto de 2016.
Desde o início da nova gestão, Lula quer institucionalizar a caracterização do processo contra Dilma como um “golpe”. Por exemplo, no site oficial do Palácio do Planalto, o termo é utilizado para definir o impeachment.
Na notícia “Nova gestão na EBC: decreto altera diretoria da empresa de comunicação”, publicada em 13 de janeiro, a página oficial da sede de trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cita o Conselho Curador da EBC e afirma que a estrutura foi cassada “após o golpe de 2016″.

Discurso no exterior
Nos últimos dias, o presidente Lula tem se referido ao processo legal e constitucional do impeachment de Dilma como “golpe de Estado”.
Em discurso na Argentina na 2ª feira (23.jan), o petista disse que “depois de um momento auspicioso no Brasil, quando governamos de 2003 a 2016, houve um golpe de Estado”.
No Uruguai, em 25 de janeiro, chamou o ex-presidente Michel Temer de “golpista”. “Tudo que fiz de política social durante 13 anos de governo foi destruído em 7 anos. Três do golpista Michel Temer e 4 do governo Bolsonaro”, afirmou o petista.
Lula escolheu um ‘golpista’ para vice da chapa
Em 2015, Alckmin se mostrou contrário ao afastamento imediato de Dilma do cargo, mas avaliou como “correta” a articulação do PSDB, partido ao qual era filiado à época, para abrir a ação penal contra a ex-presidente pelas chamadas “pedaladas fiscais”. A declaração se deu no jornal Folha de S.Paulo.
Já em março de 2016, o ministro se juntou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em pedido pelo impeachment de Dilma. Disse concordar em “gênero, número e grau” com o protocolo de deposição.
Ao fim do processo, o então governador do Estado de São Paulo se mostrou mais uma vez favorável.
“O impeachment consolida o processo democrático e abre perspectivas para o País. Ele vira a página para, rapidamente, se fazer reformas e ganhar confiança. […] Não concordo, de jeito nenhum, de que o impeachment é um golpe”, afirmou Alckmin, na época, em entrevista ao Estadão.
fonte: P.g
